Anos 80 – Foi alí que o sonho acabou.

Nas aulinhas de inglés aos sábados de manhã, o  Tiozinho descobriu que era  “teen”. Quem tinha doze ainda não era, e quem tinha vinte,  já era !

O  presidente do Brasil era um general que gostava de cavalos, um tal de Figueiredo, o último governo militar. Depois veio José Sarney, um bigodudo que assumiu com a morte de Tancredo Neves, ainda eleito indiretamente, e nos ensinou a importância do vice. Ensinou mas não aprendemos,  porque depois elegeram um tal de Collor, que disse que tinha algo roxo, aprontou e também nos deixou na mão de um vice, pior ainda que o Sarney.

O Lula ainda se chamava Luis Inácio da Silva e fazia discursos no Estádio da Vila Euclides, perto da casa do Tiozinho, para multidões de milhares de  metalúrgicos. E eles ficaram tão fortes, mas tão fortes que espantaram do ABC Paulista todas as fábricas que davam a eles centenas de milhares de empregos.

 Nos “fliperamas”, uma espécie de “lanhouse” da época, só que sem a “lan”, máquinas eletromecânicas como Fire Action e Cavaleiro Negro mostravam o que a tecnologia de 8 bits prometia, e competiam com o primeiro video game colorido, o Pac Man.

As rádios tocavam o último sucesso do Led Zeppelin, “All My Love”, do último disco feito antes da morte do baterista  John Boham. Tocavam também o último disco do Kiss ainda mascarado, Creatures Of  The Night, e grandes sucessos do Queen, com Fred Mercury.

Não havia internet nem mp3, mas as locadoras “alugavam”  os  modernos e caros CDs para nós gravarmos em fita K7 e ouvirmos nos nossos toca-fitas Road Star auto-reverse, acompanhados pelos equalizadores Tojo, que carregávamos conosco quando estacionávamos nas ruas  nossos Fuscas e Brasílias.

O rock brasileiro ainda tinha Raul, já doidasso e chapado todo o tempo, mas ainda tinha. Ele fez  seu último disco, ainda LP, que era uma roda grande de vinil preto, com uma música  muito boa chamada Metrô Linha 7:43, que profetiza canibais de cabeça…papo-cabeça !

O termo multi-mídia foi criado por Evandro Mesquita, grande ator de teatro que criou a banda Blitz, que tocava um roquezinho gostoso e inocente, mas que ainda teve uma música censurada porque falava de uma tal de Bete que era frígida.

Inspirados nos dinossauros da década anterior o Brasil colheu sua útlima , ou talvez primeira e última safra de grandes roqueiros nacionais, como Barão Vermelho (com Cazuza), Lobão, Capital Inicial, Ultraje a Rigor, Ira!, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, entre muitos outros. Colheu também Titãs, que, acreditem, caros sobrinhos, tocavam rock de ótimo nível naquela época.  

Sim, os Titãs tocavam rock, acreditem se quiser ! E tinham o grande Arnaldo Antunes com eles. Fizeram muitos discos bons, mas procurem o  “Cabeça-Dinossauro”, que resume bem o que o Tiozinho está falando.

Tinha o Camisa de Vênus, que cantava sons de protesto. Fizeram muito sucesso nos shows mandando a Rede Globo “sifú”, até trairem sua legião de fãs aceitando um convite para exibir um clip no Fantástico e cairem no esquecimento pouco tempo depois.

A verdade é que a fábrica de roqueiros “Made in Brazil”  teve uma ótima produção na década pós-militarismo, mas fechou muito rápido. Na década de 90, o prédio foi alugado pela Cássia Eller, mas uma poeira branca que veio de um morro perto de onde ela morava, nas Laranjeiras, a matou muito cedo. Então, no mesmo prédio da fábrica, abriram uma fábrica de axés, tchans, atoladinhas e pagodeiros. Infelizmente.

Mas nem tudo está perdido.  O Tiozinho já teve o prazer de ver ao vivo  grandes solos “Floydianos”  e “Zeppelísticos” tocados por ótimos guitarristas ”teens”. Um deles disse ao Tiozinho que nunca tocou nada que tenha sido composto depois dele ter nascido.

Isso prova que aquela fábrica maldita pode continuar produzindo suas atoladinhas e mulheres melancia, porque na verdade “Rock and Roll Will Never Die !”

4 Respostas para “Anos 80 – Foi alí que o sonho acabou.”

  1. vicente Disse:

    sou desse tempo, rapaz… Fire Action era mesmo ducaralho. Mas o CD player eu só peguei nos anos 90.

    “EU SOU O CAVALEIRO NEGRO À PROCURA DE UM DESAFIIIIIIO”

  2. DT Disse:

    Frequentei fliperamas até a sua decadência maior, quando em vez de ter apenas molecada se divertindo começaram a aparecer alguns sujeitos ‘mal intencionados’ arrastando a rodo os antes inocentes jogadores para o lado negro da força.
    Muito triste.

  3. Vicente Disse:

    Pois é DT, foram-se os tempos em que nos fliperamas se podia ler a frase “descontração total”

  4. Silvia Disse:

    Joguei também cavaleiro negro, e achava o máximo.

    Deitávamos no chão da sala, para curtir melhor Black Sabath, Led, Deep, Rick, etc, etc, etc…… (como diria o Rei, do filme Ana e o Rei)… anos depois vieram

    Violeta de Outono poucos conheceram, mas se conheceram jamais os esqueceram…

    E a frase:

    Você me fez envelhecer um ano a cada dia, você me fez cair outra vez na sua armadilha….

    Caique Ferreira encenava no “falecido” Teatro Bexiga a peça Giovanni, o dono do teatro era o Justino (saudades).

    Pronto tá aí, entreguei minha idade, hihihihihihi

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.